domingo, 1 de maio de 2016

                               
                                           

                                            SÍTIO DO PICA PAU AMARELO 

                                             
                                   

Quem  hoje tem por volta de 40 anos, com certeza presenciou uma época mágica na televisão brasileira. Estou me referindo aos tempos em que  havia uma programação infantil de qualidade como o Sítio do Pica Pau Amarelo. Esse programa era lúdico, pois toda criança viajava pelo mundo do faz de conta e queria ser como um de seus heróis.
                            
Ainda recordo as histórias encantadoras vividas pelos personagens de Monteiro Lobato. Ali no Sítio,  tu ia do Reino das Águas Claras até a caverna do Minotauro. E foi por esse encantamento estar presente em mim até hoje, que fiz questão de na festa de 102 da Escola Souza Lobo, homenagear este grande  Mestre da Literatura Infantil Brasileira.



Compartilhei com meus alunos como era ser criança em meados de 1980. Levei para sala de aula a trilha sonora que atravessou gerações e até hoje se faz presente na vida de muitos adultos.

A partir de minhas experiências e do fascínio que tenho pela obra deste autor , eu e minha colega Denise criamos uma bela performance para a celebração.

Tudo foi feito com muito cuidado e carinho. Primeiramente apresentamos a ideia aos alunos, falamos deste autor memorável e do valor que sua obra tem para o universo infantil. Levamos vídeos, livros e daí, deu-se o envolvimento de todo um grupo escolar para fazer dar certo a nossa tão sonhada festa de 102 anos.

Para que tudo ocorresse perfeitamente contamos com o envolvimento de muitas pessoas da comunidade escolar. A professora Cipriana fez os marcadores de páginas que foram entregues pelos alunos no acolhimento aos pais , a Vera nossa mãe voluntária, fez quase todas as fantasias usadas na festa, eu escolhi as músicas e criei a coreografia, a professora Jane da biblioteca, montou o mix das  músicas escolhidas pois e minha colega Denise  auxiliou-me nos ensaios,  e caracterizou-se para dançar junto com as Emílias.
     


Meu maior orgulho nesta festa foi minha aluna que é autista pedir para se apresentar de Cuca. Ela exigiu da costureira uma capa vermelha, pois sem ela não iria dança.


Porém como nem tudo acontece como a gente quer, dois dias antes da celebração, a direção da escola, devido ao frio intenso que fez naqueles dias, resolveu trocar o horário da  apresentação que seria à noite, para a tarde. Eu que trabalho em outra escola neste período não pude comparecer para ver a apresentação dos meus alunos. Confesso que chorei de braba, pois essas coisas desmotivam e colocam abaixo toda uma idealização. Reclamei mas não adiantou.

E foi assim que perdi de ver na prática todo um  trabalho que idealizei.

Gosto e me realizo em ver meus alunos dançando, cantando, isso é aprendizado é cultura, é interação. Isso nos fortalece como grupo.

Minhas colegas seguraram “as pontas”, e deu tudo certo, porém eu queria estar lá, queria ver, participar. Queria ver o sorriso de meus alunos, pois todos estavam muito motivados com tudo que fizemos.


Esses episódios me incomodam muito, mas fazer o quê?
O importante é que sei que um belo trabalho foi realizado, o aprendizado e a cultura foram promovidos e eu como "profe velha "que sou, deveria saber que isso faz parte do mundo escolar.

Embora eu não estivesse presente, sei que cada aluno envolvido neste processo levará consigo, para sempre, um pouquinho deste dia. E o que me realiza como educadora  é saber que fui importante para esse momento único na vida de cada um.





Um comentário:

Luciane Machado disse...

Ester

Adorei as tuas postagens, tipos de brincar, o porto seguro do ser mãe e a lembrança do Sítio do Pica pau Amarela.
Brincar e cantar faz muito bem....
Abraços Luciane